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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

CUIDADO COM A DIABETES

publicado por Dreamfinder às 18:29

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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

A HISTÓRIA NATURAL DAS DOENÇAS

Ao longo das inúmeras aulas teóricas de Medicina Preventiva temos falado dos inúmeros condicionantes da saúde e da importância da prevenção no desenvolvimento de variadas doenças. No entanto, a prevenção das patologias só é possível com base no conhecimento das características dessas mesmas patologias. Só podemos praticar comportamentos preventivos relativamente a uma doença se conhecermos os factores de risco que aumentam a probabilidade desta se desenvolver, os sintomas através dos quais se manifesta, toda a sua evolução e também o que a previne e a forma como pode ser tratada. Logo, a prevenção só faz sentido quando em relação com o conhecimento da história natural das doenças.

A História Natural das Doenças (HND) é composta por dois períodos: o período pré-patogénico (antes do indivíduo adoecer, desequilíbrio entre agente e hospedeiro, factores ambientais condicionantes que são o estímulo) e o período patogénico (a patogénese precoce ou período de incubação, horizonte clínico).

A História Natural das Doenças define, assim, duas dimensões da causalidade, a primeira, epidemiológica, é a da determinação do aparecimento das doenças, e a segunda, fisiopatológica, trata da evolução das mesmas. Os factores associados são organizados em redes de causalidade, constituindo-se em modelos ecológicos, em que as diferentes variáveis são admitidas ao modelo através de testes estatísticos. Ocorre uma redução das condições sociais em atributos naturais dos indivíduos e/ou do ambiente, ou seja, uma naturalização do social. E, a partir do estabelecimento de condutas em geral, se estabelece a neutralidade técnica da medicina e da prática médica nas suas intervenções sobre o processo saúde e doença nos indivíduos e populações.

Por exemplo, os factores de risco das DCV podem ser inatos (não modificáveis) ou externos (comportamentos e estilos de vida). Como exemplo dos primeiros incluem-se a idade, o sexo (particularmente o masculino), a história familiar e pessoal de DCV, factor de risco trombogénico. Entre os factores de risco externos e passíveis de serem modelados, encontram-se o colesterol elevado, a hipertensão, a diabetes mellitus, o tabagismo, excesso de peso e obesidade, sedentarismo.

Para intervir tem de se ter em consideração a história natural da doença, a pessoa enquanto saudável fazendo a prevenção primária, depois do início da doença, a prevenção secundária, com a doença estabelecida, a prevenção terciária e, por fim, a prevenção primordial (evitar a emergência e estabelecimento dos padrões de vida – sociais, económicos e culturais – que se sabem levarem a um elevado risco de doença).

A prevenção primária é limitar a ocorrência da doença pelo controlo das causas e factores de risco.

A prevenção secundária resume-se no reduzir as consequências mais importantes da doença através do seu diagnóstico precoce e respectivo tratamento.

A prevenção terciária tem por finalidade reduzir a progressão ou as complicações da doença já estabelecida.

 

“A Medicina Preventiva apresenta-se como sendo natural, na medida em que representa uma evolução intrínseca da própria medicina... e universal, quando generaliza esta alternativa como solução para os problemas da medicina em qualquer formação social, transformando-se, portanto, numa solução que ultrapassa os limites de sua origem para tornar-se internacional.”

Arouca

publicado por Dreamfinder às 21:44

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Domingo, 15 de Abril de 2007

"QUERIDO DIÁRIO"

Este título poderia ser apenas uma forma carinhosa de me dirigir a este diário que me “atura” há já algum tempo. Mas não é… Não resultando nem de inspiração divina e muito menos de uma invocação carinhosa ao meu “course journal”, é o título de um filme que vi recentemente e que aborda o tema dos… médicos. E, sobretudo, a relação médico-paciente.

Nanni Moretti é alguém com muito azar… sobretudo com os médicos. Este filme é um relato verídico acerca das suas experiências com os médicos, variadas e inconclusivas.

Tudo começou com as comichões de noite nos pés e braços. Os médicos diziam que era urticária e receitaram-lhe medicação adequada, que não fez desaparecer os sintomas.

Dirigiu-se então a um famoso instituto dermatológico em Roma, onde lhe diagnosticaram uma pele seca e irritada, o que levou o médico a concluir que teria origem num problema alimentar. Receitou-lhe Histamen e Flantadin, medicação que não resultou.

Perante o fracasso, procurou uma segunda opinião, que mais uma vez lhe diagnosticou uma pele muito seca, indicadora de um dermografismo grave cujo motivo seria de carácter nervoso (muito stress) ou alimentar. Recomendou-o a fazer uma análise completa ao sangue e a tomar Fristamin.

As comichões aumentaram e tornaram-se horríveis. Optou então por marcar consulta num dermatologista muito conhecido e aclamado que, no entanto, não tinha vaga para ele, pelo que lhe recomenda o seu substituto. Este diz que a situação é resultado de grande stress e aconselha-o a beber um chá, café ou coca-cola por dia. Para o duche deve usar Alfo 3 e depois do duche: Idroskin e Infloran. Receitou-lhe ainda Atarax. Nanni, já farto de tanta medicação ilógica, decidiu não levantar a receita.

Volta ao famoso instituto de Roma para uma consulta de Alergologia. Foi-lhe feito um teste, em que puseram em contacto com a sua pele gotas de diferentes agentes alergónicos para ver a quais era Nanni alérgico. Descobriu que tinha alergia a leite e derivados, nozes, sementes, peixe e carne de porco. Devia então encomendar uma vacina para cada uma das alergias. Pareceu-lhe, mais uma vez, uma situação patética, mas encomendou as vacinas.

Depois de muitas tentativas lá conseguiu uma consulta com o tal aclamado dermatologista, considerado o “príncipe”. Este, depois de o observar, receita-lhe: para braços e pernas – Colopten, Cinazyn, Caprolisin, alternar Fenistil, Atarax e Xanax – para a cabeça Ecoval Scalp Fluid, lavar a cabeça diariamente, alternando os 3 tipos de shampô que receitou. Recomendou-o ainda a calçar sempre uma meia de algodão fina até aos joelhos e camisas de manga comprida para evitar a exposição ao sol. Desta vez, Nanni cumpriu estas tarefas, mas lembrou-se de ler a posologia que acompanha os medicamentos, ao que descobriu:

- Caprolisin – anti-hemorrágico, indicado para sindromas de estado agudo de finibralise, hemorragias internas, …

- Cinozyn – ajuda a circulação aumentando o fluxo sanguíneo, recomendado em caso de distúrbios e irritação cerebral.

Depois de constatar a contradição dos medicamentos, chegaram as vacinas para as alergias. Ligou para um amigo imunologista que lhe confessou que as vacinas são inúteis e que ao tomá-las corre o risco de um choque anafiláctico. Diz-lhe ainda que a comichão que ele tem não deve ser de origem alimentar, pois se fosse causaria urticária, ou seja, teria bolhas por todo o corpo e não apenas comichão.

Nanni consulta um novo dermatologista, que lhe aborda uma nova vertente, afirmando que se trata de uma questão psicológica. Receita-lhe 7 injecções de Trimeton (intra-muscular), Fenistil e o creme Legederm.

Oito meses mais tarde, nada resultou e Nanni vê-se desesperado. Consulta uma reflexóloga que lhe faz umas massagens e lhe receita uma enormidade de tratamentos rudimentares estranhos, como, por exemplo, um banho com cascas de trigo.

De noite, Nanni começou a suar muito e a dormir mal. Perdia cada vez mais peso. Decidiu ir a um Centro de Medicina Chinesa. Apesar de também tecerem algumas teorias estranhas e ilógicas aos olhos de Moretti, mostram-se, pela primeira vez, preocupados em perceber o que ele tem e simpáticos. Vai fazendo sessões de acupunctura eléctrica. No entanto, Dr. Yang, ao ver a grande tosse de Nanni admite que a terapêutica não está a resultar e manda-o fazer uma radiografia ao tórax. Esta evidencia uma massa nos pulmões.

Dirige-se então, a conselho de Dr. Yang, a outros médicos que lhe fazem uma TAC, detectando um sarcoma no pulmão, que segundo o médico não tinha qualquer hipótese de cura. É operado dois dias depois da TAC. Acabam por descobrir tratar-se de um Linfoma Hodgkin, um tumor no sistema linfático, ou seja, curável.

Mais tarde, Nanni vai, por curiosidade procurar na Enciclopédia Médica Garzanti “linfomas”, onde descobre como sintomas: comichões, emagrecimento, suores. Era assim tão difícil???

Desta angustiante experiência com os médicos, Nanni aprendeu duas coisas:

“- os médicos sabem falar, mas não sabem ouvir

- de manhã, antes do pequeno almoço, faz bem beber um copo de água”.

 

 

“It’s alright for the patients to think you can walk over the water

provided that you are not convinced that you can.”

      Frank Spencer

publicado por Dreamfinder às 11:32

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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

DIA MUNDIAL DA DOENÇA DE PARKINSON

A notícia com o apavorante diagnóstico trocou-lhe as voltas. Tinha apenas 19 anos e “um pequeno tremor”quando soube que os seus sonhos ficariam para trás… era federada como atleta de patinagem artística, praticava ballet e ginástica rítmica e frequentava o curso de engenharia informática. Nesse dia acompanhava o irmão, doente de Parkinson, e o médico não duvidou que também ela padecia precocemente da mesma doença.

Hoje tem 42 anos e continua a desconfiar desse diagnóstico, acreditando que os medicamentos desadequados poderão ter precipitado a evolução da doença.

A idade dificultou mais a aceitação desta notícia, na grande maioria das vezes recebida por pessoas com mais de 60 anos. Além de momentos de grande angústia, revolta e depressão, ela quis também desafiar a doença e atingir metas, entre as quais uma gravidez de risco, passada na cama para evitar as contracções. Hoje são o filho de 11 anos e o marido os seus grandes alicerces, mas também a sua enorme força interior. Nos dias em que a doença se revela mais penosa – em que sente mais ansiedade ou mais dores – fala com a doença ao espelho, tratando-a por “tulipa” (símbolo desta doença).

 

Acusa a excessiva burocracia portuguesa de dificultar a vida a estes doentes e pensa abrir uma delegação da APDPk – Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson.

Uma outra história é de um empresário que descobriu a sua doença aos 38 anos quando notou a falta de controlo num dedo da mão. Os três médicos diferentes que consultou foram coerentes no diagnóstico, não havia dúvidas: era Parkinson. No carro, chorou durante quinze minutos, lágrimas de revolta e de incompreensão, por ter Parkinson numa altura tão favorável da sua vida. Quando reagiu fê-lo com determinação: manteve a sua empresa e envolveu-se na APDPk, onde é actualmente vice-presidente, nunca deixou de guiar embora com limitações. Apenas numa coisa o medo falou mais alto e hoje, ainda que casado confessa ter optado por não ser pai com receio de uma eventual transmissão hereditária (cujo papel ainda hoje não é claro). Por sua vez, ele lamenta que os medicamentos não sejam gratuitos e que o governo não a considere uma doença crónica.

Apenas cerca de 10% das pessoas afectadas com a Doença de Parkinson têm menos de 40 anos. Os sintomas mais comuns são tremores, rigidez muscular, lentidão na execução de movimentos, alterações na marcha, desequilíbrios, depressão e incontinência urinária.

Mas há esperança para estes doentes. Quatro anos depois de ter sido introduzida em Portugal a mais moderna cirurgia contra a doença de Parkinson, o hospital de São João no Porto, é um dos dezasseis centros de referência na Europa. Também os Hospitais de Santa Maria, da Universidade de Coimbra e o Santo António no Porto executam esta técnica de estimulação cerebral profunda do núcleo subtalâmico. Actualmente, 105 doentes portugueses com Parkinson têm eléctrodos no cérebro e uma pilha no peito, que lhes aumenta consideravelmente a qualidade de vida, particularmente a independência, já que deixam para trás os movimentos incontrolados, a imobilidade, as quedas e as fraldas. Dos cerca de 2500 novos casos que surgem todos os anos no nosso país, apenas 100 a 120 têm indicação cirúrgica, o que se prende com a delicadeza de intervenção, que inclui o acto de serrar o crânio com o doente acordado para que este vá conversando com o médico. Assim, a cirurgia só é recomendada em pacientes de idade inferior a 70 anos, com o mínimo de 5 anos de evolução da doença e sem qualquer outra alternativa eficaz de terapêutica.

Os restantes serão obrigados a reaprender a viver, conservando o intelecto saudável preso a um corpo sem controlo. No caso destes e neste Dia Mundial de Parkinson, as palavras de esperança são dadas pelo Regente de Anatomia da nossa faculdade e chefe da equipa do Hospital de Santa Maria:

 

“O princípio básico é ensinar que é possível viver com a doença durante muitos anos e com qualidade. Tem que se retirar a ideia

de que o diagnóstico de Doença de Parkinson é um cataclismo.”   

Doutor Gonçalves Ferreira

 

publicado por Dreamfinder às 10:39

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Segunda-feira, 19 de Março de 2007

O AMBIENTE FÍSICO E A SAÚDE

 

Temos vindo a falar dos vários tipos de condicionantes da saúde. Hoje foco-me na influência que o ambiente físico exerce sobre a saúde, através dos seus vários componentes: clima, água, solo, ruído, resíduos, produtos químicos, alimentação, saneamento básico e radiações.

Mas afinal, até que ponto vai a influência dos factores ambientais na saúde? Dados estatísticos indicam que 20% das doenças se devem a factores ambientais e diariamente morrem cerca de 13 mil crianças devido aos mesmos factores.

Entre os factores físicos que condicionam o estado de saúde de um indivíduo, a poluição atmosférica toma um lugar de relevo, sendo que todos os dias se prevê que sofram de problemas respiratórios devido à poluição 20 milhões de europeus. Um estudo recente constatou que as crianças que vivem desde os dez anos a menos de 1500 metros de uma auto-estrada sofrem uma substancial diminuição da função pulmonar quando atingem os dezoito. Entre os agentes poluentes que interferem na nossa saúde encontram-se: o dióxido de carbono, o monóxido de carbono, metano, óxido de azoto, etc. Estes gases poluentes vão ser responsáveis pelo efeito estufa que por sua vez intensifica a influência negativa de outro factor físico sobre a saúde: o clima, já que provoca alterações climáticas extremas, como as vagas de frio e de calor que temos registado e que provocam mortes. Por exemplo, o aumento da poluição atmosférica na Ásia está a tornar mais violentas as tempestades no Norte  do pacifico durante o Inverno. Os gases poluentes provocam também a diminuição da camada de ozono e consequentemente uma maior incidência de radiações sobre nós. A longo prazo, as radiações têm um efeito negativo sobre a saúde já que aumenta a incidência de cancro, cataratas, alterações imunológicas e efeitos mutagénicos, teratogénicos e morte.

As chuvas ácidas aumentam a incidência do cancro do pulmão, podem provocar queimaduras graves e a deslocação de mercúrio e de cádmio do solo para a cadeia alimentar.

 

 

 

O mercúrio exerce diferentes efeitos sobre a saúde consoante o tipo de exposição que se verifica, uma exposição aguda pode causar dificuldades respiratórias, edema agudo do pulmão e necroses dos canalículos renais; enquanto que uma exposição crónica poderia perturbar a memória, provocar taquicardia e a diminuição da acuidade visual e auditiva. No entanto, se ocorrer uma exposição pré natal provoca atraso mental e baixo QI. Além disso o chumbo e as dioxinas também exercem efeitos negativos na saúde. Por incrível que pareça, no interior dos edifícios estamos sujeitos a agentes poluentes, como inadequados sistemas de ventilação, ar condicionado, limpeza, fumo… que podem aumentar a incidência de asma, cancro, insónias…

Outra manifestação do ambiente físico que nos envolve é a poluição sonora que condiciona negativamente a saúde, aumentando as perturbações do sono, doenças cardiovasculares, respiratórias e a depressão.

 

Problemas de saúde como diarreias, febre tifóide e doenças respiratórias e dermatológicas podem ter como origem a poluição da água, mas os solos similarmente são a origem de diversos tipos de infecções, devido a pesticidas, construções, depósitos de resíduos (orgânicos; tóxicos; industriais; hospitalares – perigosos ou não).

Perante toda esta diversidade de agentes físicos a influenciarem negativamente a saúde individual torna-se indispensável uma vigilância deste mesmo ambiente, com base em diferentes tipos de estudos de impacto ambiental, vigilância epidemiológica, medição da qualidade do ar, alertas para radioactividade e qualidade da água, tal como uma intervenção directa sobre o ambiente. Neste sentido, é importante a preocupação dos governantes no cumprimento do protocolo de Quioto, no estabelecimento de organizações e departamentos, mas também o próprio individuo e o médico podem reduzir os efeitos do ambiente.

 

 

 

publicado por Dreamfinder às 23:45

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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

O AMBIENTE BIOLÓGICO E A SAÚDE

Não é a primeira vez que abordo a complexidade do conceito "saúde". Hoje, no entanto, incido a minha reflexão sobre o tema da aula: a saúde na sua relação com o meio biológico. A saúde, na sua variedade, depende tanto de factores endógenos (características da própria pessoa - o hospedeiro), como de factores exógenos (exteriores a este, mas que o afectam, condicionando o seu estado de bem estar). É analisando esta interecção entre o homem e o meio que podemos tentar chegar mais próximo da definição que concebemos da "saúde".

Ninguém vive isolado. Mesmo que viva só, isolado de outras pessoas, nunca está verdadeiramente isolado... Porque há todo um meio que o envolve. Vivemos rodeados de todo um maravilhoso mundo biológico, do qual muitas vezes nem nos apercebemos. Estamos rodeados de seres vivos, animais e vegetais, que tornam a nossa vida mais colorida.

Esses organismos podem representar factores de saúde para os que os rodeiam... Mas nem sempre esses organismos biológicos exercem uma acção positiva sobre nós e sobre o nosso estado de saúde, afinal eles podem ser reservatórios, vectores ou agentes da doença.

Mas de que formas influencia o meio biológico que nos rodeia a nossa saúde? Outra pergunta que nos poderá surgir diversas vezes, já que provavelmente é raro reflectirmos nisso... Sofremos maior influência do ambiente biológico através de alguns mecanismos de interacção específicos que estabelecemos, como é o caso da nossa nutrição, da nossa imunidade, casos de traumatismo ou de infecção/intoxicação.

A cadeia epidemiológica tem uma sequência comum, independentemente do tipo de intervenientes. Assim, um determinado reservatório (por exemplo, um qualquer organismo biológico) pode transmitir o agente (como as bactérias, fungos, vírus, protozoários, ...) ao hospedeiro (o indivíduo), que assim pode contrair infecção, ficando o seu estado de saúde comprometido. O ponto de partida desta alteração do seu estado de saúde (doença) foi a interacção do indivíduo com o seu ambiente biológico.

Claro que quando me refiro a meio biológico, a variedade de reservatórios é grande, tal como a forma de contágio. A transmissão do agente patológico pode resultar, por exemplo, do contacto directo com animais. Assim, podemos ser infectados por animais quando vamos de férias para o Quénia ou para a Tailândia, como no caso da Malária (em que o parasita é transmitido pelo Mosquito Anopheles). Mas não é preciso ir tão longe para sentir os efeitos dos animais na nossa saúde. Os nossos cães, gatos ou mesmo cavalos podem transmitir-nos, tanto pela sua mordida, como pela saliva em contacto com a nossa pele, o vírus da raiva,que ataca o sistema nervoso e é fatal em praticamente 100% dos casos. Em ambos os casos, a prevenção volta a ser a palavra de ordem: a malária pode ser evitada através da profilaxia adequada antes de se partir de férias e os animais devem ser vacinados anualmente para impedir a contracção deste vírus.

No entanto, outra das formas de interacção com o ambiente biológico que estabelecemos é a nutrição. E desta forma podemos ser infectados por vírus como o famoso H5N1 (gripe aviária), doença das vacas loucas

Por fim, temos obrigatoriamente que pensar nas situações em que o reservatório é o próprio homem ou o seu organismo. As pessoas com quem nos relacionamos diariamente também são reservartórios de agentes patológicos. Por exemplo, vírus como o VIH (SIDA) ou o vírus da Hepatite B são sexualmente transmíssiveis, tal como os vírus de da sífilis, gonorreia, clamídia, ... Mas também podem ser contraídos pelo contacto com subtâcias orgânicas infectadas, por exemplo, em casos de transplante de órgãos infectados ou durante uma cirurgia pelo contacto com material contaminado. A doença de Creutzfeldt-Jacob (encefalopatia espongiforme subaguda) , uma infecção progressiva, inevitavelmente mortal, que produz espasmos musculares e uma perda progressiva da função mental é, por exemplo, contraída por médicos legistas, pelo contacto com cadáveres infectados.

O tétano é causado pela toxina de uma bactéria, o Clostridium tetani. Este organismo pode sobreviver no ambiente, e em particular no solo, sob a forma de esporo. Uma das mais típicas formas de transmissão do mesmo é a contaminação de uma ferida.

Concluindo, ao contrário do que muitas vezes pensamos, o ambiente biológico tem uma influência importantíssima na nossa saúde, já que é constituído por inúmeros organismos que podem funcionar como reservatórios de agentes patológicos. Alertados para esta realidade, e perante a nossa constante e inevitável interacção (sob diferentes formas) com o meio biológico, é importante que nos sensibilizemos para a importância da prevenção, desde os comportamentos preventivos mais básicos (como não partilhar material de higiene pessoal), passando pela prevenção não específica (contra a infecção, como a melhoria das condições de higiene, da qualidade da água e cadeia alimentar, ...) e culminando na prevenção específica, contra a doença, através da vacinação, de soros (depois de contraída) ou uma prevenção secundária (antibióticos e desinfectantes).

“A cura está ligada ao tempo e às vezes também às circunstâncias.”

Hipócrates

 

publicado por Dreamfinder às 15:25

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